Lançado junto do Wii em 2006, o primeiro Red Steel prometia uma jogabilidade inovadora dentro do gênero de tiro em primeira pessoa, com pistolas e espadas comandadas pelo sensor de movimento do Wii. Mas os controles ficaram tão confusos e pouco precisos que o que seria o grande diferencial acabou sendo o responsável pelo fracasso do jogo. Red Steel 2 prometeu ser o que o antecessor não conseguiu: um enredo cheio de lutas com katanas realistas e movimentos precisos executados com o auxílio do Wii MotionPlus. Os novos esforços trouxeram um jogo superior ao seu antecessor, mas longe de cumprir suas promessas.
“Requer WiiMotion Plus”
A ideia de sair do controle tradicional cheio de botões e cair em toda a liberdade que o Wii Remote poderia oferecer gerou uma expectativa tremenda. Mas controlar a espada no primeiro jogo era algo impreciso, e a falha na captação do sentido dos movimentos era drasticamente perceptível. Muitos jogos para o console, aliás, já provaram que quando o assunto é precisão, o Wii está longe de ser um simulador de movimentos reais. Talvez esse seja o motivo que levou a Nintendo a desenvolver o WiiMotion Plus, periférico que promete transmitir os movimentos em tempo real (1:1) e que praticamente não foi aproveitado até hoje. Red Steel 2 é um dos poucos jogos que utiliza tal acessório, e apesar da melhora na sensibilidade, ainda não poder ser comparado a uma reprodução fiel do movimento feito pelo jogador.
A contracapa do jogo já mostra a propaganda enganosa: “Seus movimentos são fielmente copiados na tela”. A maior diferença que se nota em Red Steel 2 são os golpes dados em diagonal, algo difícil de executar no anterior e que muitas vezes ajudam muito. Outra melhora visível é o tempo de resposta, que diminuiu consideravelmente deixando os movimentos praticamente em tempo real. Mas infelizmente, analisando friamente o que a própria contracapa promete, ele está longe de passar para o jogador a sensação de estar com uma katana na mão executando as mais diferentes manobras e retalhando o inimigo como um Bruce Lee da vida faria.
Quando não se está usando as espadas, conta-se com um arsenal de armas de fogo. A precisão da mira também melhorou, porém a sensibilidade alta cansará o braço de quem pretende jogar por muitas horas. Enfim, em todos os casos o Wii MotionPlus conseguiu alguma melhora na jogabilidade, mas a ideia de executar tiros e golpes de espada com o controle do Wii não vingou.
Novos gráficos, novo jogo
Quem se lembra do contexto do Red Steel original, baseado na máfia Yakuza, notará grandes mudanças no enredo e ambientação. A atualidade deu espaço para um período fictício que mistura um Japão feudal com o velho oeste americano. Enquanto os cenários são desérticos com pequenas vilas, os inimigos lembram mais samurais do que cowboys montados em seus cavalos.
O jogo é dividido em pequenos cenários abertos e interligados, o que dá uma grata sensação de não linearidade. Em vez de paredes invisíveis, a pessoa acaba indo para outra pequena fase aberta e tem a liberdade de ir e vir quando quiser.
Existem dois tipos de missões: as principais e as secundárias. As principais empurram o jogador na tortuosa trama, enquanto as secundárias não são obrigatórias, mas garantem uns trocados para dar um upgrade nas armas. Os problemas estão nessas missões de menor importância para a história, que aparentam ter recebido pouca preocupação dos programadores. Não existe um mapa geral, o que obriga a pessoa a correr pelo cenário tentando descobrir aonde ir e se perguntando se está no lugar certo. Além disso, a pouca variedade gráfica traz vários mapas muito semelhantes, irritando quem se preste a fazer as missões paralelas. Não demora muito e acaba-se desistindo delas.
Pelo menos a câmera inteligente é uma boa amostra de como resolver problemas típicos de pontos cegos que acontecem nos videogames. Ela sempre está focada na ação, o que facilita mirar sem ficar o tempo todo apontando para os cantos da tela tentando virá-la o mais rápido possível. Funciona muito bem tanto nas batalhas com espadas, onde não se está apontando para a tela, como nas partes de tiro normal com armas. Deixando que ela funcione automaticamente, o jogador precisa apenas se focar no principal que é o combate.
Muda também na sequência o estilo gráfico, que agora adota a técnica cel-shading. As características de desenho animado disfarçam bem o baixo poder gráfico do console da Nintendo, e rendem um jogo bem bonito para os padrões desta plataforma.
Conclusão
Red Steel 2 é melhor que o antecessor em vários aspectos, mas ainda não entrega tudo que promete. A adição do Wii MotionPlus melhorou bastante na hora das batalhas de espadas, porém ainda não atingiu a perfeição no combate entre armas brancas. Já os gráficos em cel-shading são bem melhores que os antigos -- pena que os cenários repetitivos e a falta de um mapa central acabam complicando muito a vida do jogador.
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